Idade Cronológica x Idade subjetiva: Velho, eu?!

As perspectivas relacionadas ao aumento da expectativa de vida e envelhecimento da população brasileira ainda não desmistificaram os debates vinculados ao assunto: o envelhecimento é um tema tabu em nossa sociedade. As pessoas evitam o assunto, como se falar sobre a velhice trouxesse consigo o envelhecimento em si.

A idade cronológica serve de indicador para um conjunto de mudanças físicas e comportamentais esperadas em nosso ciclo de vida, porém, ela não consegue abranger toda a complexidade que o conceito envolve.

A idade pode ainda ser analisada sob as perspectivas biológica, social e psicológica, mas a mais interessante delas, ao meu ver, é a concepção de idade subjetiva, tratada pela psicologia, ou identidade etária, em uma abordagem sociológica bastante parecida.

Mas do que trata a idade subjetiva?

Tentando descomplicar o tema, a idade subjetiva refere-se às experiências internas de cada um com relação à sua idade e a seu processo de envelhecimento. Isso envolve o reconhecimento e a comparação frente à papéis, normas sociais e condições físicas esperadas.

Como eu me descrevo e me classifico, e à partir de que critérios?

Quantas vezes você já ouviu a frase “- Eu não me sinto com cinquenta anos!.” ?

A idade subjetiva nos ajuda a compreender as incongruências entre a imagem que temos de nós e a que os outros têm. Ela faz com que o indivíduo tenha a impressão de vivenciar uma idade diferente de sua idade cronológica real...

Estudos recentes sobre o tema demonstram que esta discrepância é um mecanismo adaptativo e não de defesa ou negação do envelhecimento, como se acreditava anteriormente, pois ela ocorre ao longo de toda a vida, com parâmetros opostos nas diferentes fases: é comum pessoas jovens se descreverem com idades subjetivas acima de sua idade real e pessoas mais velhas se caracterizarem com idades subjetivas abaixo da sua.

Ainda de acordo com esses estudos, muitas pessoas mais velhas não se identificam com o seu grupo etário e acreditam ser exceção. Além disso, a partir dos 40 anos temos tendência a nos descrever, em média com idade 20% abaixo da nossa!

Mas não é só isso!.

Acredita-se que a idade subjetiva seja um indicador mais complexo do que a simples opinião sobre sentir-se velho ou jovem, pois ela parece ter, de fato, consequências sobre o processo de envelhecimento.

De acordo com alguns estudos, as pessoas correspondem à expectativa social em relação ao comportamento apropriado para a sua idade. A coisa se complica quando percebemos que estas expectativas variam em função de condições culturais, econômicas e sociais, ou seja, a expectativa sócio-demográfica relacionada a você é diferente daquela encontrada, por exemplo, em uma comunidade agrícola do interior da China frente a alguém da sua idade.

Na Alemanha, um estudo demonstrou que a idade subjetiva de uma pessoa de 74 anos é cerca de 8 anos menor do que a sua idade cronológica, enquanto que nos Estados Unidos, esta discrepância é de 14 anos!

Existem muitos outros estudos relacionados ao tema, considerando questões biológicas, sociais, culturais, psicológicas e intelectuais. A conclusão interessante de boa parte deles é a de que sentir-se mais jovem faz com que as implicações negativas do etarismo sejam compensadas, aumentando os níveis de satisfação com a vida e também a longevidade.

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